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Precisamos conversar sobre suicídio

22/07/2016

Escrito por:

 

Atualmente, têm-se falado -nestes termos- que estamos vivendo uma epidemia de suicídios em Fortaleza e no Brasil. Por ser uma temática delicada e ainda envolta em inúmeros tabus, o suicídio pouco é abordado e discutido. Pouco se sabe sobre as causas e, usualmente, as abordagens populares acabam recaindo no campo da moralidade ou da ignorância.

 

Não raramente comentários como “ele tinha a mente fraca” ou “isso é falta de Deus” aparecem e, em vez de ajudar, apenas distanciam grande parte das pessoas da temática e da forma como, de fato, ela deve e merece ser tratada.

A questão do suicídio se torna evidente quando uma pessoa, padecendo de enorme sofrimento e, diante de uma crise em que não consegue ver saída para suas questões e para seu sofrimento, decide por fim à própria vida.

 

Várias são as causas que levam às tentativas e aos atos de suicídios consumados. Estas causas vão desde as conhecidas formas de adoecimento mental, quando se fala de depressão, transtorno bipolar ou esquizofrenia, por exemplo, a questões físicas, como o padecimento de alguma doença incurável, o envelhecimento, as consequências subjetivas deste e até a culpa em alguns idosos por se tornarem um “peso para a família”, bem como a questões sociais, como desemprego, preconceitos, conflitos familiares, dentre outros.

 

Por serem questões complexas e multifatoriais, a ideação, o risco e a tentativa de suicídio devem ser acompanhadas por profissionais capacitados a realizar abordagens e encaminhamentos adequados aos casos. No entanto, há algumas medidas que podem ser tomadas por familiares, amigos e conhecidos ou pessoas bem intencionadas e que podem ajudar a prevenir o suicídio. Sim, embora pareça uma realidade, por muitas vezes, desconhecida e distante de todos, o suicídio pode ser prevenido!

 

Alguns sinais podem ser notados, inclusive, com certa facilidade. Diante destes sinais, alguns procedimentos são indicados e, da mesma forma, outros devem ser extensamente evitados. Listo alguns aspectos que considero importantes à temática:

 

* Tratar a temática com olhar moralista e censurador não ajuda. O sofrimento pelo qual o indivíduo passa é legítimo e verdadeiro. Não se trata apenas de “mentes fracas” ou de “falta de Deus”. Caso assim fosse, não teríamos tantas especialidades profissionais lidando com a temática da saúde mental em todo o mundo e tampouco teríamos pessoas que vivem sua espiritualidade de modo saudável e que possuem histórico de ideação ou de tentativas de suicídio ao longo da vida. Nestes casos, indica-se que se deixe o julgamento e as concepções morais de lado e que se ofereça um acolhimento humano ao indivíduo que sofre, possibilitando-o a encontrar um caminho ou uma luz para tratar deste momento tão delicado.


* Não é porque a pessoa possui condições financeiras condizentes com os padrões sociais tidos como ideais que ela não poderá apresentar adoecimento mental, sofrimento intenso ou ideações suicidas. Em outras palavras, “ter tudo o que deseja, uma família estruturada, estudar em boas escolas, ter um bom emprego e possuir carro do ano”, como muito se ouve, não deslegitima ou desmerece o sofrimento de cada um. Isso se verifica em estudos que apontam altas taxas de suicídio em países desenvolvidos. Todo sofrimento deve receber a devida atenção e, se necessário, o devido encaminhamento para que possa ser adequadamente tratado.

 

* Da mesma forma, pensamentos relatados sobre desejo de estar morto ou de fazer mal a si devem ser sempre considerados. Novamente, o juizo moral deve ser colocado de lado, dado que tais relatos, frequentemente, são encarados como tentativas de chamar atenção, como modo de coagir a família a realizar seus desejos ou até mesmo como pensamentos sem fundamento, o que restringe a possibilidade de muitos indivíduos serem ouvidos e procurarem ajuda, afinal se nem as pessoas de seu círculo pessoal dão crédito àqueles relatos, quem dará?

Comportamentos estranhos, que destoam dos hábitos normais dos indivíduos, como crescente isolamento, falta de ânimo, choro fácil, irritabilidade, perda de funções sociais, dentre outros, também devem ser observados. E sempre que se julgar necessário, estes casos devem ser conduzidos para avaliação profissional adequada. Alguns comportamentos estranhos podem ser momentâneos para algumas pessoas e podem ser a forma de comunicar que há algo que não está bem para outras.

 

* Tentativas prévias de suicídio, independentemente da forma, intensidade e consequências, são fortes fatores preditivos a outras possíveis tentativas. Desta forma, se há histórico de tentativa de suicídio no indivíduo, considera-se a possibilidade de uma próxima tentativa aumentada, ou seja, é de grande importância que se assegure de que estes casos estejam sendo devidamente conduzidos e tratados para que se evite uma próxima tentativa, que poderá lograr êxito e ser fatal. Também é de fundamental importância que haja um acompanhamento de perto em casos de tentativas de suicídio, principalmente, nos dias e semanas após a tentativa.

 

* Se há diagnóstico de algum tipo de adoecimento mental, há, necessariamente, de se tratá-lo de forma regular e competente. Não se deve estimular o abandono de tratamento psicológico ou psiquiátrico baseado em crenças próprias. É possível que alguns casos recebam alta e não necessitem mais de acompanhamento regular. Da mesma forma, é possível que outros casos necessitem de acompanhamento profissional por toda a vida e a indução ao abandono do tratamento, nestes casos, poderá levar a situações de surto, crises ou a intensa piora da saúde mental destas pessoas e, por consequência, um aumento na possibilidade de tentativa de suicídio. O que seria, ao olhar leigo, visto como uma ajuda pode, na verdade, ser um ato de extrema irresponsabilidade e trágicas consequências. Desta forma, todo o tratamento deve ser pactuado com o profissional de referência e, caso haja o desejo de se parar o tratamento, este desejo deve ser comunicado ao profissional, que avaliará o caso e saberá se é possível. É contraindicado que se tomem decisões referentes ao tratamento por conta própria, sem que sejam pactuadas com os profissionais que acompanham o caso.

 

* Há de se considerar que o pensamento de suicídio, na grande maioria das vezes, acontece em momentos de crise e desesperança, em que não há a possibilidade de um futuro possível. No entanto, estes momentos de crise, se manejados de modo adequado, devem ser superados e, por consequência, superados também tais pensamentos. A busca por profissionais capacitados a acolher prontamente e de modo humanizado os sujeitos nestes momentos de crise deve ser sempre estimulada.

 

* Não é vergonhoso sofrer. Todas as pessoas sofrem e isto, inclusive, é um dos fatores que nos faz humanos. Da mesma forma, não é vergonhoso homem chorar ou quem possui boas condições financeiras pensar em suicídio. Não é vergonhoso procurar um psicólogo, um psiquiatra ou um serviço especializado em saúde mental. Não é vergonhoso tratar do adoecimento em saúde mental, apesar de todo o preconceito que ainda sabemos existir. Tomar remédios ditos “psiquiátricos” ou frequentar um psicólogo ou psicanalista não torna ninguém louco ou incapaz. Todos estes preconceitos devem ser trabalhados e combatidos, pois, muitas vezes, distanciam da ajuda aqueles que dela precisam. Tratando a saúde mental como mais uma das formas de promoção de saúde, dentre as tantas existentes que não enfrentam preconceitos, muitas pessoas podem ajudar e serem ajudadas.

 

* Atualmente temos uma infinidade de possibilidades terapêuticas que podem ser ofertadas e que devem ser usurfruidas por todos aqueles que as julgarem necessárias. O tratamento, em saúde mental segue rigorosos princípios éticos e, à luz do sigilo profissional, quem fizer uso ou se beneficiar destes serviços prestados pode se assegurar que não terá suas intimidades ou o conteúdo do que fora tratado expostos pelos profissionais, bem como não serão julgados, discriminados ou censurados.

Como brevemente discorri, o suicídio deve e pode ser prevenido. E sempre que necessário, é preciso que falemos dele para que mais pessoas tenham acesso a informações e saibam como minimamente lidar com esta temática tão delicada.

Caso conheça alguém que apresente alguma das características relatadas acima, que haja desconfiança de que alguém pode estar pensando em suicídio ou até mesmo você, que agora me lê, esteja com tais ideações, não deixe de procurar um profissional ou serviço especializado. Temos excelentes profissionais que podem fazer o manejo adequado das mais variadas situações, até aquelas que possam parecer mais complicadas e sem possibilidade de solução.

 

* Caso deseje, me procure ou peça indicações de profissionais. Caso tenha dúvidas, entre em contato. Cuide bem da sua saúde mental!

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Psicólogo Clínico/ Psicanalista Bruno Sampaio - Fortaleza/CE

Psicólogo Clínico formado pela UFC, Pós-Graduando em Psicologia e Sexualidade, trabalha com escuta psicanalítica de adolescentes, adultos e idosos em clínica particular e em contexto hospitalar.

Endereço: Rua Gonçalves Ledo, 777 - Salas 1119 e 1120 - Edifício BS TOWER (esquina com Av. Santos Dummont).

Contatos: (85) 99678-5799 (Marcação de atendimentos); (85) 99910.5967 (Contato do profissional); Email: brunosampaiopsi@gmail.com

Blog Saúde Mental Descomplicada: www.brunosampaioblog.com.br